Economia Circular: o que é e por que você deveria falar sobre isso?

O termo economia circular surgiu em meados da década de 70 e está cada vez mais em pauta apresentando um novo e melhorado olhar frente ao modelo econômico de consumo tradicional.

Contrastando com o modelo linear vigente na indústria mundial — produzir, consumir, descartar — a economia circular apresenta uma alternativa intimamente conectada à sustentabilidade, onde você consegue extrair o máximo dos produtos, impedindo que seus compostos sejam descartados precocemente em aterros sanitários.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), são produzidos cerca de 1,4 bilhão de toneladas de resíduos sólidos urbanos (RSU) anualmente no mundo, podendo chegar a 2,2 bilhões em 2024.

Investindo na criatividade para a construção de novos modelos de negócio com a oportunidade — e necessidade global — de estender ou ressignificar a vida útil de milhares de produtos, a economia circular abre portas para que empresas se conscientizem a respeito do garimpo excessivo de recursos naturais e repensem seus produtos e processos para um viés cada vez mais eco-friendly.

Segundo Alexandra Leitão — autora do artigo Economia circular: uma nova filosofia de gestão para o séc. XXI, publicado pelo Portuguese Journal of Finance, Management and Accounting (PJFMA) -, “a Economia Circular estimula novas práticas de gestão e descortina novas oportunidades criando valor às organizações em harmonia com o meio ambiente.”.

Muito além do sustentável.

A alternativa circular vem ganhando força nos últimos anos por apresentar diversos benefícios, não só para o planeta mas também para toda a cadeia produtiva da indústria.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), é possível notar um aumento na produtividade industrial com pequenas mudanças de processos internos e focando na reutilização da matéria-prima que antes seria descartada.

Só na Europa, estima-se que a economia circular já tenha reduzido cerca de U$ 630 bilhões de dólares em custo de materiais no ano de 2019.

Diversos países têm assumido o compromisso de atualizar suas indústrias para o modelo circular até o ano de 2050 a fim de otimizar processos internos, economizar na captação de materiais e contribuir para o meio-ambiente. Isso se dá frente á cases de sucesso de empresas que já vem adotando os princípios da economia circular em suas etapas de produção.

Em uma sociedade cada vez mais desperta para problemas ambientais, estar por dentro da mudança é uma oportunidade que não deve ser desperdiçada.

Confira algumas empresas que já contam com produtos e soluções de consumo sustentáveis:

  • Braskem com seu PE verde, feito a partir da cana-de-açúcar;
  • Full Cycle Bioplastics, com plásticos compostáveis;
  • CBPak atua na produção de copos, potes e bandejas feitas a partir de fécula de mandioca, garantindo que seus resíduos se tornem adubo após o descarte.
  • Housi, a empresa oferece aluguel de apartamentos por “assinatura”, fazendo com que a moradia se torne um serviço e não um bem.

Principais desafios da economia circular.

Diante da possibilidade de implementar o modelo circular, alguns desafios se fazem presentes. Vamos listar alguns deles a seguir:

Rompimento do modelo linear - romper o cordão umbilical com o modelo linear em prol da sustentabilidade é uma iniciativa que implica em reestruturações internas (mesmo que mínimas) nas empresas. Sendo um modelo que foi adotado por séculos, o desafio se apresenta em despertar consciência em líderes que ainda demonstram pouca preocupação ou interesse ambiental;

Regulamentação e incentivos - existe a necessidade da criação de leis e normas regulamentadoras que assegurem os interesses ambientais de cada país, visando estimular a economia circular. Nada melhor para incentivar o mercado que a aplicação de uma estrutura que puna ações lineares e recompense ações circulares;

Revisão de processos burocráticos (no Brasil) - nacionalmente falando, para incentivar a implementação do novo sistema ainda pode ser necessário uma revisão de muitos processos burocráticos do setor industrial, assim como uma mudança no sistema tributário que favoreça o melhor uso possível dos recursos naturais pela indústria.

76,5% do mercado brasileiro tem ações circulares.

Atualmente, segundo a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), estima-se que 76,5% das indústrias brasileiras já desenvolvem algum tipo de ação com base na economia circular.

Apesar de boa parte das empresas alegaram não saber que as práticas poderiam ser enquadradas no conceito circular, esse dado vem de encontro com uma crescente percepção do público brasileiro para a importância desse modelo econômico — 88,2% dos brasileiros determinam a economia circular como importante para a indústria, também segundo a CNI -, que busca cada vez mais produtos e empresas que demonstram preocupação com questões ambientais e sustentáveis.

Além da inovação por meio de produtos, outro braço da economia circular que revoluciona hábitos de consumo brasileiros são os serviços de compartilhamento, como Uber e BlaBlaCar no segmento de transportes, Housi no segmento imobiliário e SESC e Casaplanta no segmento de coworking.

Essa prática exclui a necessidade da compra efetiva de bens materiais quando se precisa de algum serviço pontual, fazendo com que menos recursos precisem ser gastos suprindo uma demanda de produção que já é 140% maior do que a indústria consegue atender atualmente.

Não é de hoje que nosso modelo econômico flerta com um colapso ambiental que está logo ali na esquina, portanto, em pleno 2021 é necessário pensar em soluções (e políticas públicas) válidas para implementar esse modelo econômico na prática para ir de encontro com consumidores, que por sua vez estão a cada dia mais conscientes e preocupados com questões sustentáveis.

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